domingo, 13 de março de 2011
Perdidos em Recife
Após terminar o show de Lenine no Recife Antigo, lá pras duas e tantas da manhã, saímos eu e Clau para pegar um táxi e voltar a pousada. O problema era que a pousada ficava no centro, bem perto do antigo (onde aconteceu o show) , e, seja Salvador ou Recife, taxista é tudo igual. Sabia que ia ter dificuldade de encontrar algum para nos levar.
Depois de mais de 40 minutos tentando e levando "Não levo porque é perto", resolvemos entrar no táxi e só lá dentro falar o destino. Conseguimos entrar em um, no meio da guerra de pessoas que estavam com o mesmo objetivo.
- Vai pra onde? (com aquele sotaque pernambucano)
- Porra, pode seguir ai... (com o meu sotaque baiano. hehehe)
- Mas seguir por onde?
- Tu sabe onde é a Universidade católica? É perto de lá.
- Acho que sei. É aqui perto né?
Pronto, agora ele já sabia que era perto, e que ia se fuder. Mas não tinha jeito e ia ter que levar. Depois de seguirmos um tempinho pelas ruas de Recife, ele chegou ao prédio da Universidade Católica.
- Pronto, a Católica é aqui, e agora?
- Agora...?
- É... Vamos pra aonde?
O problema era que eu não sabia como chegar na pousada a partir do prédio da universidade. Foi ai que me lembrei de outro ponto de referência que ficava mais próximo da pousada.
- Tu sabe onde é a Contax?
- Contax? O que é isso?
- É uma empresa de telemarketing.
- Sei não.
- É por que, a pousada é perto da Contax. Se chegar lá, eu sei.
Eu confesso que estava perdidinho, não fazia idéia de onde estava e nem de como chegar a pousada. Seguimos rodando a uma velocidade baixa, até o taxista avistar um senhor, sentado em uma cadeira plástica no meio da rua. Encostamos...
- Boa noite, o senhor sabe onde fica a Contax?
- Contax? Eu acho que é seguindo ai em frente.
- Em frente...
- Não, pera ai... Acho que é voltando.
- Voltando...?
- Olha, acho melhor perguntar ali naquele posto.
Havia um posto de gasolina no final da avenida. Resolvemos ir lá. O taxista encostou em um dos frentistas e perguntou...
- Boa noite. Sabe informar onde fica a Contax aqui?
- Contax? O que é isso?
Eu entrei na conversa.
- Boa noite amigo, e a Pousada Solar do Lazer, você conhece?
- Solar...?
- Do lazer, rua Bernando Guimarães.
- Solar... Não, não...
- Porra.
- Não. É melhor tu perguntar aquele taxista ali, visse.
Um outro taxista estava abastecendo no mesmo posto. Meu nervosismo já havia tomado conta de mim e eu já liberava no pensamento "caralho, que merda, puta que pariu". O meu taxista encostou janela com janela no colega de profissão e começaram a conversar.
- Eai, Beleza?
- Opa.
- Venha cá, tu sabe onde fica a Contax?
-Contax?
- É, to querendo levar esses passageiros na pousada que fica do lado dessa Contax.
- Contax...? Deixa eu ver... Contax, Contax...
- E a Pousada Solar do Lazer? Fica na rua Bernardo Guimarães.
- Acho que sei onde fica a Contax, venham me seguindo que vou levar até lá.
Nessa hora eu pensei, "Esses caras armaram alguma coisa, vão ficar rodando comigo e levar todo meu dinheiro". Mas eu não tinha outra opção, fiquei atento, um olho no motorista e o outro no taxímetro. Depois de uns 5 minutos seguindo o outro taxista, eu comecei a me sentir mais familiarizado com as ruas. Sentia que estava perto. Até avistar o letreiro luminoso e gritar...
- Ali!
- O que?
- A Contax.
- Ah! Ali.
- Pronto, a rua de trás fica a pousada.
O motorista da frente acenou com a mão, buzinou e seguiu. Paramos em frente à Pousada. O taxímetro marcava bem mais que a corrida do dia anterior para o mesmo lugar.
- Dezessete e cinqüenta.
- Poh, ontem pegamos um táxi pra aqui e deu oito reais.
- É por que não conheço muito essa região aqui.
- Eu percebi!
Conclusão: Os taxista de Recife também são espertos pra caralho.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Michael Jackson de BH
Saindo de Salvador e estacionando em Belo Horizonte. Encontrei no Youtube um video desse taxista mineiro, que é um cover de Michael Jackson. Achei interessante dividir isso com vocês e provar que as loucuras e delírios dos taxistas contadas aqui, são reais, e não se limitam só a Salvador.
*Ainda bem que ele gravou, por que contando aqui ninguem ia acreditar!
domingo, 16 de janeiro de 2011
O garanhão da Bahia
Eu tinha acabado de sair do cinema do Salvador shopping, já era umas 00:30h. O shopping estava deserto, tudo fechado. Fui direto pra o estacionamento pegar um táxi. Passei por aquelas portas que abrem sozinhas e logo avistei um. Abri a porta da frente do carro e sentei no banco do carona, ele ligou o carro e saiu andando. O motorista era jovem, seus 38 anos e falava alegremente no telefone celular. Enquanto rodávamos pelo estacionamento do Shopping procurando a saída, ele continuava o monólogo pelo celular. Eu quieto, prestando atenção em cada palavra.
- Há meu benzinho, não fala isso não, se não fico doido.
- ...
- Ai, ai, ai. Olha que eu vou sim! Meu denguinho, você chamando assim, eu não resisto.
- ...
- Oh paixão, vou levar um passageiro e depois te ligo, benzinho!
Assim que ele desligou o celular, já se virou para mim, tentando se explicar, mesmo sem eu ter pedido nenhuma explicação...
- Rapaz, essa mulher ta louca atrás de mim!
- Hehehehe.
- Conheci lá em Bonfim, no forró do Sfrega. De lá pra cá não para de me ligar.
- Foi mesmo. E ai...
- E ai, ela quer que eu largue tudo aqui e vá pra lá, morar com ela!
- Porra, apaixonou!
- Ta indo pra onde?
- Hahahaha, já tinha até esquecido. Lá em Brotas!
Ou seja, ficamos andando no carro sem ele saber para onde iria me levar. A partir daí, seguiu uma parte do caminho me contando sobre a forrozeira de Bonfim. O motorista me contou tudo. Como conheceu, quantas vezes já tinham ficado juntos, que ela era mais velha, bonita, solteira, empresária, tinha um cachorro, um crossfox e muito dinheiro. Eu já sabia tudo sobre a mulher.
- Já foi em Bonfim?
- Não!
- As mulheres lá ficam doida quando chega homem da capital. Tu é de Salvador mesmo?
- Não, sou de Jequié! Pode ir pela ACM, é melhor.
- JEQUIÉ? Já namorei uma menina de lá.
- Hehehehehehe!
- Liliane. Conhece não?
- Rapaz... não lembro assim não.
- Uma baixinha. Cabelo preto. Gostosinha.
- Acho que não.
- Pois é. Eu tive lá em Jequié...
Subimos a ladeira da Cruz da Redenção que dá acesso ao meu bairro, com ele contando suas aventuras por Jequié. Depois de quinze minutos de conversa, eu já poderia escrever a biografia de Liliane. Ele contou tudo. O cara era fantástico nas histórias com as mulheres. Seguimos pela avenida principal até ele avistar uma bodega que vende churrasquinho, muito conhecida aqui no bairro.
- Quer dizer que você mora aqui perto do churrasquinho?
- É... Aqui é legal!
- Há uns dois meses atrás tava uma neguinha que morava aí do lado. Vinha sempre aqui com ela. Tomava duas cervejas, depois ia no motel e PIMBA!
- Hehehehehe!
- Essa mulher me deixava doido...
Eu percebi que não tinha outro assunto com o garanhão. Ele não fugia do tema. Eu poderia tentar qualquer outra conversa que seria em vão. Como por exemplo:
- Você soube que o zodíaco mudou?
- Já namorei uma menina de Virgem, que de virgem mesmo, não tinha nada.
Ou.
- Viu o jogador Argentino que o Vitória contratou?
- Ah! As Argentinas são maravilhosas.
Ou
- E essas chuvas no Rio heim? Que tragédia!
- Chuva no rio? Já fiz no mar, com sol. Estilo Cicarelli.
Paramos na porta do meu prédio. O Taxímetro marcava R$22,25. Tirei três notas de R$10,00 e entreguei. Ele cobrou somente vinte e me devolveu uma nota de dez. Abri a porta e no momento que descia do carro o celular dele tocou novamente. Ele atendeu e ouvi ele falando baixinho enquanto saia.
- Oie querida! Acabei de deixar a última corrida aqui. Já estou indo pra casa viu...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Mulher no volante, perigo constante.

domingo, 28 de novembro de 2010
Salvo pelo taxímetro
Já eram 3h da manhã de sábado, e eu já tinha dado virote em outra festa na noite no dia anterior. Não esta me agüentando em pé. Me despedi dos meus amigos e saí da festa para procurar um táxi e voltar pra casa. A festa era na praça Castro Alves (centro da cidade), próximo ao pelourinho. Assim que sai, avistei um Corsa Sedan com as faixas vermelha e azul do outro lado da rua. O motorista estava dentro do carro. Fui atravessando a rua assoviando e acenando pra ele, mas ele não se mexia, tava dormindo. Quando me aproximei bem ele tomou um susto e acordou. Eu encostei no vidro dele.
- E ai velho...
- Oh! Vai pra onde?
- Rapaz, lá em Brotas tu faz quanto?
- Porra, difícil saber. Tu não é acostumado pegar táxi aqui não?
- Dá uns doze reais, né não?
- Ohohoho é mais, é mais...
- Vamos fechar dezesseis.
- Vinte.
- Dezoito...
Fechamos em R$18,00 e seguimos pro destino com o taxímetro desligado. O cara era negro e gordo, tava todo arrumado, calça social, camisa social. Era um tipo Bussunda. Ele subiu a avenida em direção ao pelourinho, praça da sé.
- Eu gosto de tirar um soninho no carro.
- Hehe
- Durmo aqui mesmo. Chego em casa só tomar um banho e já to novo em folha.
- Hum. Dormi bem pra mim, só no meu quarto.
Enquanto conversávamos de leve, eu comecei a perceber um ambiente estranho ao redor. O cara foi adentrando pelo pelourinho, em umas ruas estreitas, uns becos que nunca tinha estado na vida. Pensei, deve ser algum atalho que o cara conhece, pra sair em alguma avenida conhecida. Entra em beco, sai em beco, entra em beco, sai em beco. E ai o ambiente ficou sinistro de verdade, era dark demais. Várias prostitutas e pessoas pelas ruas usando drogas... Submundo mesmo.
- Oh lá aqueles três ali. Tão cheirando crack.
- Hehehehehe. Rapaz, que lugar é esse véi...
- Isso aqui ta abandonado. O prefeito não vê isso.
- Que mané prefeito rapaz. Puta que pariu. Isso aqui é sinistro demais velho.
- Oh lá aquele, comendo a mulher ali no meio da rua... hehehehehe
- Rapaz, esse lugar aqui é punk. Porque que tu veio por aqui maluco?
O medo bateu essa hora. Entre casarões abandonados, usuários de crack e prostitutas fazendo sexo oral ao ar livre a gente ia passando por uma rua muito apertada, que só dava pra passar um carro por vez. Sem contar as encaradas que todos davam pra dentro do táxi. Lá na frente avistei um sujeito sem camisa, de bermuda e descalço andando no meio da rua, vindo ao nosso encontro. Ele começou a gesticular pra a gente diminuir a velocidade. Ai eu gelei. Pensei, mas que merda, que porra que esse cara foi vir por aqui. Agora fudeu mesmo, vamos ser assaltados, to fudido... O gordinho não parou o táxi, mas andávamos a uma velocidade baixa. O cara encostou no vidro dele.
- Arruma um trocado aí maluco.
O motorista miserável, calmamente virou a cabeça e olhou pra mim com uma cara de merda, como se pensasse: É com você, resolva ai...
- hein? Porra negão. To quebrado aqui. To sem nada mesmo.
- Quebrado o que véi. Andando de táxi aí.
- É que to com o dinheiro certo do táxi aqui, serio mesmo poh! Se não arrumava.
- É um real só maluco, pra eu comer uma coisa que to com fome.
- Rapaz, to sem mesmo.
- Podia ta roubando, mas to pedindo.
- Porra cara, é tanto que, acertei com ele o valor antes. Porque só tenho dez reais aqui. Pode ver, até o taxímetro ta desligado.
O sujeito olhou pro taxímetro. Olhou pra mim. Olhou pro motorista. O motorista olhou pra ele. Olhou pra mim. Eu olhei pro taxímetro. Olhei pro sujeito. E fiz a mesma cara de merda que o motorista tinha feito pra mim. O sujeito se afastou do vidro. Ufa!
Saímos dos becos e seguimos em direção a minha casa. A viagem seguiu friamente, como se nada tivesse acontecido.
- Sobe a Vasco da gama ou vai pelo Bonocô?
- Pela Vasco mesmo.
- Pela Vasco é mais rápido mesmo.
Já na estávamos na avenida principal do meu bairro...
- Quando for aí, tu me fala.
- Ta. Pode seguir aí, na próxima esquerda você entra, depois daquele muro branco ali.
- Ta com dinheiro trocado?
- Não. Por quê? To com vinte reais.
- Me da logo aí então, pra já te dar o troco aqui mesmo, antes de entrar na rua. Por que essa rua ai é perigosa a gente ficar parado.
- ESSA RUA É PERIGOSA? Oxe! Ta maluco? Perigoso foi onde a gente passou.
- Eu sei, mas é que a gente não pode dar bobeira em lugar nenhum né?
- Que bobeira rapaz? Tu vem por um caminho escroto da porra, e vem falar que minha rua é perigosa. Toma aí, vinte...
Paguei e ele me deu o troco (R$2,00) antes de entrar na minha rua. Só depois, entrou. E parou na porta do meu prédio.
- Pode encostar aqui.
- Pronto!
- Valeu! Boa noite.
- Boa.
- Vai com cuidado aí.
- Beleza...
Fiz uma especie de exemplo do que seria as ruas que passamos e uma foto que mostra a porta do meu prédio (vista da minha janela). pra comparação. (clique na imagem para ampliar)

domingo, 7 de novembro de 2010
O ga-ga-gago ranzinza
Sábado a noite, voltando de uma noitada no bairro do Rio Vermelho em Salvador, as chances de você encontrar um taxista muito louco são de praticamente 99,9%. Era por volta de 1h da manhã. Chamei o táxi que estava passando. Um Uno. O motorista era branco, usava óculos, meio gordo. Tinha cara de pai de família, de bom sujeito. Entrei no banco da frente.
O Rio Vermelho é um bairro boêmio e cheio de bares. Assim que começamos a corrida passamos por alguns e daí que tudo começou.
- Eu, per-perder noite sentado em bar? Jamais. Perco no-noite trabalhando por que tenho necessidade. Odeio ficar em um am-ambiente assim. É pra-pra onde mesmo?
- Hehehehe (¬¬) Brotas.
Porra, o cara era gago. Falava de uma maneira muito engraçada, algumas palavras travavam pra sair e isso era muito engraçado, eu ia ter que segurar a gargalhada.
- Já perdi muitas noites, quando e-e-era mais novo. Mas agora não. Ficar sentado nesse barulho, ninguém pode conversar nada, bater um-um-um papo.
- Sei... (Segura, segura. Pensa na fome das crianças na África, na natureza, nas árvores...)
- Sentar em uma me-mesa de bar, ficar ouvindo música alta, axé... De-Deus me livre. Odeio axé. Música de gente i-i-i-ignorante.
- Hehehehehe, eu também não gosto muito de axé não.
- Porcaria rapaz... tudo lixo. A mú-mú-música hoje em dia, não va-vale nada.
- Rs. Algumas valem poh. (as crianças, a fome, as árvores, os passarinhos voando)
Por impulso ele apertou o botão e ligou o som do carro. Tava passando algo sobre futebol... um comentário ou alguma vinheta de um jogo. Não levou 3 segundos e ele desligou.
- O-o-odeio Futebol.
Eu pensei, mas não é possível uma coisa dessas. Qual seria a diversão desse sujeito? Caçar moscas com haxi? O cara odeia todo... Mas agora a conversa tinha ficado séria. Futebol...
- EU AMO FUTEBOL.
- Eu o-odeio. Não perco meu tempo ven-vendo jogo.
- Rapaz... nem copa do mundo?
- Pi-piorou em copa do mundo. Eu nunca fui apaixonado por fu-futebol, mas, tomei raiva mesmo quando descobri essa má-máfia toda. É melhor subir no Acupe ou no Extra?
- Que máfia rapaz? Sobe pelo Acupe mesmo.
- Esses jogadores ai, tu-tudo um bando de ignorantes, tudo ganhando milhões, bi-bilhões aí.
- Mas isso não é máfia não. Eu também acho meio exagerada essa supervalorização dos jogadores, mas...
- Você estuda, se fo-forma, rala pra caralho, pra ganhar mixaria. Enquanto esse Ro-ro-ronaldo mesmo ai, ganhando 500 mil. Pra não fazer nada rapaz... Fico indignado com i-i-isso.
- Hahaha. Fora a grana que ele ganha com publicidade. Que deve ser maior ainda.
- Ainda tem i-isso. Não sei como uma marca, chama esse Ro-Ronaldo pra fazer propaganda. Odeio essas propagandas tam-também.
- Porra... Eu faço isso.
- I-i-isso o que?
- A próxima direita o senhor pode entrar, é o primeiro prédio da rua.
- Trabalha fazendo pro-pro-propaganda é?
- É!
- Ah!
- É essa direita rapaz. Entra aí!
- Oopa!
Ele parou na porta do meu prédio. Senti que ele ficou meio desajeitado e sem graça.
- Foi quanto aí?
- Tê-treze reais. Mas é pro-propaganda com Ronaldo que tu faz, não?
- Não, não... hehehehe. Às vezes faço umas com a Ivete Sangalo.
- Ah!
- Da Ivete Sangalo você gosta né?
- Não! O-o-odeio.
Desci do carro com uma vontade enorme de perguntar a ele, o que ele não odiava. Mas preferi ficar imaginando ele feliz da vida caçando moscas com haxi.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Guia Turístico
Acordei atrasado. Não queria chegar tarde novamente no trabalho pois já tinha chegado alguns dias. Me arrumei o mais rápido que pude e saí. Já desci o elevador decidido. Vou pegar um táxi.
Assim que cheguei à rua, vinha passado um e eu dei a mão. Era um Corsa Sedan. O motorista era novo. Devia ter uns 24 anos. Tinha uma cara engraçada e feliz. Já abriu a porta do carro dando risada.
- E ai velho, beleza?
-Beleza...
- Ali na avenida Magalhães Neto.
- Magalhães?
- É Magalhães Neto. Pode ser em frente ao Hospital da Bahia.
- É Pituba?
- Rapaz, mais ou menos, é ali entre a Pituba e o Costa Azul.
Percebi que ele tava meio nervoso e perdido. Imaginei que ele não devia estar se lembrando onde era a avenida Magalhães Neto.
- É melhor ir por onde?
- Pode ir pelo Bonocô, acho melhor.
- Bonocô?
- É.
- Pro Bonocô entra aonde mesmo?
- Tu não sabe não?
- É que não sou de salvador. To morando aqui a pouco tempo e comecei a rodar de táxi aqui agora.
- Hehehehehehehe
Essas horas você tem que rir. Agora eu tinha certeza que ele não sabia onde era a Magalhães Neto e nem sabia onde era nada. Surreal demais. Pra ser taxista você tem que morar na cidade há no mínimo uns 10 anos. O cara se muda para cá e vai ser motorista sem conhecer nada, sem saber chegar às principais avenidas da cidade. Nunca vi uma situação dessas, vou ser guia de um taxista.
- Ta vendo aquela igreja ali? Na sinaleira você vira à esquerda e desce a ladeira direto. Vai sair lá.
Chegamos a Bonocô.
- Essa é a uma avenida conhecida aqui. Vem de lá da casa da porra, até o shopping Iguatemi.
- Aqui eu sei, já passei aqui.
- Pode seguir ai direto. Mais a frente ali, do seu lado direito, é a igreja Universal. É um bom ponto de referência.
- Eu sei. Aqui eu já conheço.
- Já conhece? Ham. E ali em frente é o shopping Iguatemi. Vai passar muito por aqui.
- Conheço essa parte já.
- Ah!
- Eu fico em que faixa?
- Tu não disse que conhece?
- Hehe. Mas pra chegar lá no destino não sei.
- Sei La em que faixa fica. Fica em qualquer uma aí, tu só tem que ir direto...
- Direto onde? Pra lá ou pra cá.
- Direto, porra. Pra cá rapaz... DIREITA. Segue ai esse doblô.
- Hehehehe. É que tinha a divisão das pistas.
- Tsc. Aqui é a avenida Tancredo Neves. É famosa também, é meio que o centro comercial de Salvador. Onde o dinheiro ta circulando. Tipo uma avenida paulista.
- Aqui eu sei também. Já trouxe passageiro aqui.
-Tsc. (¬¬) Na rua de trás fica o Salvador Shopping. Outro grande shopping daqui.
- Eu Sei.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Contei e me acalmei.
- Tá vendo esse Edifício todo doido ai do lado esquerdo? É a casa do comércio. E essas duas torres aqui do lado direito, é o Salvador Trade Center.
-Ham!
- São prédios Famosos aqui da Tancredo. Pode seguir direto aí que vai chegar onde eu quero.
Ele seguiu em frente mais uns 400 metros.
- Pronto. Essa é a Avenida Magalhães Neto. Pode encostar ali na frente, no Hospital da Bahia, é onde vou ficar.
- Ahhhhhhhh! Aqui eu conhecia. Já trouxe passageiro aqui. Só não tava lembrando o nome da rua.
- Foi quanto? (A raiva era grande)
- Dezesseis e cinquenta, mas faço dezesseis.
- Toma aí.
- Deixa eu te dar meu cartãozinho, caso tu precise de táxi, pode ligar.
- Não. Precisa não. Eu... Quase nunca ando de táxi.
Segue uma imagem dos pontos de referência que mostrei a ele. (clique para ampliar)

