sábado, 23 de abril de 2011
INRI Taxista
Pensei, já que a rodoviaria não é longe, faltando uns 30 minutos para o horário, eu ligo para uma companhia de táxi e peço um carro que aceite cartão, pois estava sem dinheiro na mão. Da tempo certinho.
Às 23:20h liguei para a solicitar o táxi.
- Boa Noite. Eu gostaria de pedir um táxi.
- Boa noite, o senhor já possui cadastro?
- Sim!
- Qual o nome do senhor e o telefone?
- Gustavo, 3276...
- Ok. Para onde é a corrida?
- Rodoviária.
- Ok. É para que horas o táxi?
- Pra agora moça. O mais rápido que você tiver.
- Olha senhor, a previsão de chegada ai é de 30 minutos, e por conta do ENGARRAFAMENTO na rodoviária, mais 45 minutos até lá.
- Porra! Então não. Deixe pra lá. Pego um aqui na rua mesmo.
- Obrigado senhor.
Só ai eu me dei conta da situação. A rodoviária vai estar super engarrafada e provavelmente um caos para se chegar lá. Precisava correr se não iria perder o ônibus. Do jeito que estava eu peguei a mochila, fechei o apartamento e desci o elevador. Fui até o ponto de táxi que tem próximo ao meu apartamento pra pegar algum dos conhecidos lá. O problema só seria achar algum que aceitasse cartão.
Chegando no ponto, me dirigi ao primeiro da fila. Era um dos que conhecidos.
- Opa! Boa noite. É... Você aceita cartão ai?
- Oh jovem! Cartão, não.
- Poh! Beleza.
- Mas esse de trás ai aceita oh...
Já estava ficando nervoso... o tempo tava passando e o horário do ônibus chegando. Me dirigi ao outro taxista.
- Opa... e ai? Aceita cartão ai?
- Aceita! Pra onde é a corrida?
- Rodoviária.
- Rapaz, não levo não.
- Porraéessa! Por que?
- Ta um inferno pra chegar lá, a gente vai ficar uma hora preso no engarrafamento.
- Porra brother, mas... meu ônibus...
- Levo não. Stress demais, to agüentando isso mais não.
- Puta que pariu...
O miserável me deixou louco. Agora eu acreditava que iria perder a viagem. Além de estar muito atrasado, tinha um engarrafamento gigantesco pra entrar na rodoviária, e só tinha cartão. Eu fiquei desesperado, 23:35h. Eu saí perguntando a todos os taxistas do ponto, tentando apelar para o sentimento de pena, para ver se alguém se comovia.
- Pode levar na rodoviária ali não brother? Na moral. To atrasado já... Vou perder o ônibus.
- E você velho? Eu moro aqui na rua de trás, ando sempre aqui, pego sempre táxi aqui com vocês... Vou perder a viagem velho.
- Porra, comprei ovo de páscoa ai pra família toda no interior oh! Vai perder tudo, Não acredito que vou perder a viagem velho...
Depois de tentar apelar e mesmo assim ninguém se comover com a situação, sai andando pela avenida com a mochila nas costas já me conformando com a perda do ônibus e pensando no que iria falar para os parentes. Caminhei uns 200 metros sem saber pra onde eu estava indo ou o que tava fazendo. Um táxi passou muito rápido pela avenida, e por impulso, na tentativa da ultima cartada, eu gritei...
- Oh TÁXI...
As luzes vermelhas dos freios se acenderam e ele fez a volta. Era um Palio weekend. Encostou e eu expliquei a situação
- Preciso chegar à rodoviária, em menos de 20 minutos. Sei que ta tudo engarrafado lá. Ah, eu só tenho cartão aqui.
- Calma, Entra ai.
- Nenhum taxista quis me levar... E ai vamos fazer como?
- A gente passa em um caixa 24h e você saca dinheiro, pode ser?
- Pode ser... se achar algum no caminho.
- Tem um ali no posto Ypiranga da Bonocô.
- Ta. E o engarrafamento?
- A gente para no Shopping Iguatemi que ta livre, e tu atravessa a passarela para a rodoviária, tranquilo?
Em 2 minutos de conversa o motorista resolveu todo o problema. Essa é a diferença de um bom profissional pra um ruim. Conhecer alternativas na cidade para oferecer ao passageiro de acordo com a sua necessidade. Descemos para avenida Bonocô, paramos no posto e saquei dinheiro. Pegamos o trânsito livre lá e rapidinho estávamos no shopping Iguatemi. Tudo isso não levou 10 minutos. A corrida deu R$12,25. Dei R$15,00 e mandei ficar com o troco. Atravessei a passarela e cheguei em tempo na rodoviária.
domingo, 26 de setembro de 2010
Taxista filho da puta.
Eu sei uma regra que não tem exceção. "Todo taxista de Salvador é um filho da puta, esperto."
Voltando de uma viagem ao interior, cheguei na rodoviária de Salvador 5h da manhã. Essa rodoviária daqui é péssima pra conseguir pegar um táxi, muita gente tentando conseguir um, e os taxistas no esquema de fila não querem pegar corrida pra perto.
O segredo é meter a mão na porta e entrar no táxi sem dizer o destino. Foi o que eu fiz. Era uma Parati velha, o motorista era negro, aparentava uns 58 anos. Já dentro do carro, disse onde era, e o caminho que gostaria que ele fizesse, o qual seria mais rápido de se chegar até minha casa (mais barato e pior pra ele).
Tudo corria bem, o cara era calado e não dava uma palavra. O dia tava amanhecendo e eu seguia olhando a cidade pela janela e pensando: - Que corrida chata, nem vou ter assunto pra escrever.
A primeira filhadaputisse que ele fez foi passar direto no primeiro retorno e andar mais uns 400m pra pegar outro retorno mais longe. Isso é uma tática que eles sempre usam quando a corrida é perto e eles querem dar uma valorizada pra ganhar um pouco mais. Eu deixei pra lá por que seria pouco, R$1,00 a mais ou a menos, que diferença faz. Tudo seguiu bem e sem um diálogo, o silêncio permanecia no carro. Eu admirando a cidade ao amanhecer e as vezes olhando o taxímetro pra ver quanto tava marcando. Já estávamos aqui no meu bairro quando ele fez a segunda filhadaputisse, errou novamente o trajeto entrando em uma rua errada ao invés de seguir e pegar a principal.
- Oh velho. Era pra seguir ai pela principal. (¬¬)
Ele calmamente e sem dar uma palavra, entrou em duas esquerdas seguidas e voltou à avenida principal. Ta... Tinha ficado meio desconfiado, mas, deixei pra lá por que seria pouco, R$1,00 a mais ou a menos, que diferença faz.
Já estava bem próximo a minha casa era só seguir mais alguns metros e chegávamos.
- Próxima direita ai, o senhor pode entrar é o primeiro prédio da rua.
Ele parou o carro e a corrida tinha dado R$14,85. Nem foi tão cara, eu pensei, ainda vou deixar ele arredondar pra R$15,00. Peguei uma nota de R$20,00 e dei. Equanto ele se mexia procurando o troco eu abria a porta do carro e ia pegando a mala, até que ele se virou e fez a terceira e maior filhadaputisse de todas.
- Oh rapaz, só tenho isso aqui pra te dar.
O cara me deu duas moedas, uma de R$0,25 centavos e outra de R$0,10 centavos.
- É O QUE RAPAZ? (¬¬)
- É... Minha primeira corrida hoje, to sem dinheiro nenhum aqui.
- Que porra é essa véi. E ai?
- É... primeira corrida não tenho.
- Sim véi, e ai? Eu que vou me fuder?
Eram 5:30h da manhã, não tinha nada aberto pra a gente trocar o dinheiro e eu só tinha essa nota de R$20,00 na carteira. A tranqüilidade dele me irritava muito, ele não tava nem ai. Nem olhava para trás.
-É que é a minha primeira corrida do dia.
- Sim vei, e daí. Quer dizer que a corrida que era pra ser R$15,00 reais, eu vou ter que pagar R$20,00. (Quinze por que errou o caminho duas vezes, na verdade era pra ser treze )
-É por que não tenho mesmo. Só tenho isso ai.
- PORRA. EU SEI MAN, QUER DIZER QUE É ASSIM.... VOU TER QUE PERDER R$5,00 E VAI FICAR POR ISSI MESMO?
- ... (Ele mantinha uma cara sem expressão nenhuma)
-... (Eu fazia uma cara de raiva e tinha vontade de voar no pescoço dele)
R$1,00 a mais ou a menos não faz diferença, mas R$5,00 faz. Estava cansado e queria subir logo pra dormir. Dei a merda dos R$20,00 e saí do carro pra não cometer uma agressão. Me senti roubado. O filho de uma "profisional do sequisso" foi embora. Agora ele rodava com a nota de R$20,00 e provavelmente vai aplicar o golpe no próximo passageiro.
Sempre desconfie se uma corrida de táxi em Salvador estiver indo tudo bem demais. Alguma coisa está errado. (¬¬)
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