domingo, 30 de janeiro de 2011

Michael Jackson de BH

Um post especial e fora do comum hoje.

Saindo de Salvador e estacionando em Belo Horizonte. Encontrei no Youtube um video desse taxista mineiro, que é um cover de Michael Jackson. Achei interessante dividir isso com vocês e provar que as loucuras e delírios dos taxistas contadas aqui, são reais, e não se limitam só a Salvador.


video

*Ainda bem que ele gravou, por que contando aqui ninguem ia acreditar!

domingo, 16 de janeiro de 2011

O garanhão da Bahia




Eu tinha acabado de sair do cinema do Salvador shopping, já era umas 00:30h. O shopping estava deserto, tudo fechado. Fui direto pra o estacionamento pegar um táxi. Passei por aquelas portas que abrem sozinhas e logo avistei um. Abri a porta da frente do carro e sentei no banco do carona, ele ligou o carro e saiu andando. O motorista era jovem, seus 38 anos e falava alegremente no telefone celular. Enquanto rodávamos pelo estacionamento do Shopping procurando a saída, ele continuava o monólogo pelo celular. Eu quieto, prestando atenção em cada palavra.
- Há meu benzinho, não fala isso não, se não fico doido.
- ...
- Ai, ai, ai. Olha que eu vou sim! Meu denguinho, você chamando assim, eu não resisto.
- ...
- Oh paixão, vou levar um passageiro e depois te ligo, benzinho!
Assim que ele desligou o celular, já se virou para mim, tentando se explicar, mesmo sem eu ter pedido nenhuma explicação...
- Rapaz, essa mulher ta louca atrás de mim!
- Hehehehe.
- Conheci lá em Bonfim, no forró do Sfrega. De lá pra cá não para de me ligar.
- Foi mesmo. E ai...
- E ai, ela quer que eu largue tudo aqui e vá pra lá, morar com ela!
- Porra, apaixonou!
- Ta indo pra onde?
- Hahahaha, já tinha até esquecido. Lá em Brotas!
Ou seja, ficamos andando no carro sem ele saber para onde iria me levar. A partir daí, seguiu uma parte do caminho me contando sobre a forrozeira de Bonfim. O motorista me contou tudo. Como conheceu, quantas vezes já tinham ficado juntos, que ela era mais velha, bonita, solteira, empresária, tinha um cachorro, um crossfox e muito dinheiro. Eu já sabia tudo sobre a mulher.
- Já foi em Bonfim?
- Não!
- As mulheres lá ficam doida quando chega homem da capital. Tu é de Salvador mesmo?
- Não, sou de Jequié! Pode ir pela ACM, é melhor.
- JEQUIÉ? Já namorei uma menina de lá.
- Hehehehehehe!
- Liliane. Conhece não?
- Rapaz... não lembro assim não.
- Uma baixinha. Cabelo preto. Gostosinha.
- Acho que não.
- Pois é. Eu tive lá em Jequié...
Subimos a ladeira da Cruz da Redenção que dá acesso ao meu bairro, com ele contando suas aventuras por Jequié. Depois de quinze minutos de conversa, eu já poderia escrever a biografia de Liliane. Ele contou tudo. O cara era fantástico nas histórias com as mulheres. Seguimos pela avenida principal até ele avistar uma bodega que vende churrasquinho, muito conhecida aqui no bairro.
- Quer dizer que você mora aqui perto do churrasquinho?
- É... Aqui é legal!
- Há uns dois meses atrás tava uma neguinha que morava aí do lado. Vinha sempre aqui com ela. Tomava duas cervejas, depois ia no motel e PIMBA!
- Hehehehehe!
- Essa mulher me deixava doido...
Eu percebi que não tinha outro assunto com o garanhão. Ele não fugia do tema. Eu poderia tentar qualquer outra conversa que seria em vão. Como por exemplo:
- Você soube que o zodíaco mudou?
- Já namorei uma menina de Virgem, que de virgem mesmo, não tinha nada.
Ou.
- Viu o jogador Argentino que o Vitória contratou?
- Ah! As Argentinas são maravilhosas.
Ou
- E essas chuvas no Rio heim? Que tragédia!
- Chuva no rio? Já fiz no mar, com sol. Estilo Cicarelli.
Paramos na porta do meu prédio. O Taxímetro marcava R$22,25. Tirei três notas de R$10,00 e entreguei. Ele cobrou somente vinte e me devolveu uma nota de dez. Abri a porta e no momento que descia do carro o celular dele tocou novamente. Ele atendeu e ouvi ele falando baixinho enquanto saia.
- Oie querida! Acabei de deixar a última corrida aqui. Já estou indo pra casa viu...